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martes 2 de febrero de 2010

FESTAS DA SENHORA DA AGONIA - VIANA DO CASTELO



As Festas de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, estão consideradas como «a romaria das romarias».





O culto remonta-se ao século XVIII e tem como traço marcante a devoção das pessoas ligadas à arte piscatória. Com esta festa, homenageiam e agradecem as graças recebidas nos momentos de angustia, aquelas tragédias que trazem as tempestades no mar, os naufrágios.





Muitos factores concorrem para tornar atraentes estas festas. Sendo o mais destacável: a sua riqueza etno-folclórica; pela inigualável gama dos seus trajes; a indiscutível arte dos seus pirotécnicos, que puseram todo o seu saber ao serviço de Viana.
Mordomia, Gigantones e Cabeçudos, Cortejos, Festa do Traje, Feira de Artesanato, Arraiais Minhotos, Tapetes Floridos, Procissão ao Mar, Cantares ao Desafio e três distintos Fogos de Artifício iluminam a cidade, o rio e o mar…






A festa do traje teve início no jardim público no ano de 1931.






A tarde de sábado é um momento ansiado pelos visitantes que querem ver o Cortejo Etnográfico. Dura cerca de três horas, reproduz as tradições e a cultura do Alto Minho de inícios e meados do século XX, mostrando os trajes tradicionais minhotos; onde a figura das noivas é muito importante, pois vão vestidas com os trajes tradicionais e ricamente ornamentadas com ouro e filigrana. Também se podem admirar os mais belos trajes de mordoma e lavradeira, vestidos por minhotas que ostentam ao peito autênticas obras de arte em ouro.












A romaria não pode ocorrer antes do dia quinze nem depois do dia vinte e cinco de Agosto.












Foi no dia 20 de Agosto do ano de 1968 que se fez pela primeira vez a Procissão da Senhora da Agonia ao mar. Um dos momentos altos da Festa é exactamente a procissão fluvial, com a imagem da Santa a passar no rio Lima. Zona onde também decorre o fogo de artifício. Ambos acontecimentos atraem muitos visitantes e turistas por serem de grande beleza e animação.









A festa continua… tocam as concertinas, rodopiam os "Gigantones e Cabeçudos" ao som dos bombos dos "Zés Pereiras", dançam as lavradeiras… A grandiosa "Serenata" de fogo de artifício ilumina toda a cidade, começando pela ponte de Gustave Eiffel, passando pelo Castelo de Santiago da Barra, até ao Templo-Monumento de Santa Luzia.









Viana do Castelo é cabeça de Distrito da Provincia do Minho, ao Norrte de Portugal




Estas fotografias, tão magníficas, que acabais de contemplar, são obra dos meus amigos, Fátima e Augusto, grandes admiradores desta FESTA; que gentilmente me cederam para este fim, e para nosso enlevo.
Aqui deixo constância deste feito, e a eles rendo homenagem.

viernes 22 de enero de 2010

BIOPARC - VALENCIA













Bioparc – Valencia, es un parque zoológico de nueva generación. Es como visitar África sin Salir de Valencia








Basado en el concepto de zoo-inmersión, sumergiendo al visitante totalmente en los hábitats salvajes, con cerca de 100000 metros cuadrados.





Bioparc Valencia está comprometido con la conservación de los animales, así como con la educación y la concienciación sobre la necesidad de preservar sus ecosistemas de origen.





Participa en decenas de programas de reproducción en cautividad de especies en peligro de extinción, al mismo tiempo que ofrece una amplia oferta didáctica.






Pero más allá de la ética y de la conservación, Bioparc Valencia es un mundo mágico.





Que ofrece experiencias emocionantes en cada recodo del parque y en cada minuto de la visita. Donde uno puede aventurarse y descubrir a los animales salvajes y sus hábitats.






ZOO-INMERSIÓN
Filosofía y técnica de diseño zoológico que busca sumergir al visitante en una cuidada recreación de hábitats naturales. Los animales, la vegetación y el paisaje forman un conjunto que invita a quien lo recorre a descubrir la complejidad de los ecosistemas naturales.







Las barreras quedan ocultas dando sensación de continuidad entre el recinto en el que viven los animales y el espacio que ocupa el público. La zoo-inmersión es sentir que recorres un ecosistema natural, pero que realmente está recreado.






La primera fase de Bioparc está dedicada a África, pero este importante proyecto será ampliado en los próximos años para dedicar una parte del parque al Sudeste Asiático y otra al Neotrópico.





De momento, podremos disfrutar de la extensa sabana entre rebaños de antílopes, jirafas y rinocerontes, mientras los leones dominan la gran pradera desde su atalaya rocosa. Descubriremos la vida que se desarrolla en el subsuelo, en torno a las termitas, recorriendo las madrigueras de oricteropos, facóqueros y hienas. Nos aventuraremos en la espesura del bosque ecuatorial en busca de gorilas, caminaremos junto a búfalos y leopardos y seguiremos la senda de los elefantes hasta una cueva excavada por estos paquidermos.







DATOS DE INTERÉS




BIOPARC VALENCIA

Tel. 902 250 340

Avenida Pío Baroja, 3

46015 Valencia (España) .





Las taquillas permanecerán abiertas desde las 9.30h. hasta una hora antes del cierre de Bioparc. Se recomienda consultar siempre la web de Bioparc www.bioparcvalencia.es para confirmar los horarios de cierre en cada momento.

domingo 10 de enero de 2010

ESTIVE, MAS VOLTEI



Já não podia suportar tantas tenções, era a saudade, e tive que ir ao encontro dela.






A climatologia manteve-se adversa, parecia que queria impedir este reencontro e pôs-me todos os obstáculos possíveis.





Mas logrei abrasá-la, foi emocionante!






Fui feliz, nesse gozo que nos convém.






Gotas frias, dum céu escuro, molharam-me a cara... eram lágrimas de satisfação na alegria.






Voltei às minhas origens, encontrei-me com os que pude ver, mas a mãe natureza castigou-me pela ousadia... não parou de chover...




Deixo-vos esta prova que ela me deu...


martes 22 de diciembre de 2009

AO MEU PORTO ( V )






A nostalgia do passado leva-me até Massarelos, para ver os bacalhoeiros, ou as obras da ponte da Arrábida, ou um pouco mais longe ainda, para ver um barco encalhado no Cabedelo, na Foz, ou no Castelo do Queijo; nada disso está, nada disso vejo. As cheias já não fazem estragos. Quantos sustos nos deu o nosso Douro! Talvez por isso, por ser “douro”, quanto nos custou! Tudo tinha o seu encanto, até a tragédia.

Recordo uma cheia que pude presenciar em Massarelos: o poder devastador do rio, na confluência com o oceano, ao enfrentarem-se as duas forças, provocou uma corrente fortíssima de água que fez saltar os paralelepípedos da rua: saíram disparados como balas de canhão.

Na Foz, a proximidade do mar convida a passear, ou a tomar um refrigério, placidamente, num dos seus multíplices pontos de encontro, com diversão ou sossego, de tudo há. Aqui a paisagem é cativante e de metamorfoses constantes, todas no tom e do som que nos dá o Oceano.

Ondas que se desfazem sobre a praia, ou contra o cais, com uma espécie de ternura violenta; são a invasão dum sem fim de experiências, todas elas vividas intensamente; recordações dum tempo ido que faço que perdure.








Do outro lado o progresso: tudo são grandes avenidas e passagens a distintos níveis. Isto veste muito para os de fora, faz-nos mais europeus, mas não quero partilhar-te! Bom, para não pecar de egoísta deixarei que te contemplem, mas sem que te desgastem mais daquilo que observo em alguns sítios.








Fora da urbe a noite cai como uma persiana preta. Nos dias de canícula só se ouvem as rãs e os grilos, que, como também tem calor, ventilam-se; eis o resultado de tanta algazarra.

No fim das tarde do Outono as sombras alongam-se uniformizando tudo. As noites brumosas, são, sem duvida, noites de Outubro.






A temperatura ambiente já não convida a longos passeios, mas sim a fazer alguma visita cultural. Os Museus, arquivos fiáveis de tudo o que de bom tens como património intelectual, testemunho do legado que te deixaram os nossos antepassados, aguardam a nossa presença. O Soares dos Reis é duma visita anual obrigatória. Não posso estar muito tempo sem contemplar a “Flor Agreste”, essa expressão infantil, cândida, terna; nem o “Desterrado”, faz-me recordar a obra doutro génio, Rodin, mas com umas formas mais perfeitas, aparentemente mais trabalhadas: ainda que se diga que o mármore de Carrara ao sair da marmoreira é mais brando. Este grande artista nunca foi bem aceitado pela sociedade do seu tempo, sendo como foi uma pessoa extraordinária e, mesmo morrendo novo, deixou-nos um grande espolio de transcendência escultórica.















Existem outros pontos que também são de uma visita obrigada e, como tal, sempre que posso esgueirar-me, não deixo de visitar o Palácio da Bolsa, com o seu esplêndido salão árabe como exponente máximo; a gare da estação de São Bento, para contemplar a arte expressa nos azulejos das paredes; a igreja da Lapa, que retém o coração do Rei que o ofereceu ao Porto, Dom Pedro; a talha dourada da igreja de São Francisco; o museu etnográfico, e nele a evolução da vida dentro de ti como cidade, o primeiro que visitei quando ainda estudava no Gomes Teixeira; as capelas da Sé, especialmente a que está talhada em prata; a ornamentação da igreja de Santa Clara, de magnifica talha dourada; passear da Foz ao Castelo do Queijo e receber na cara a brisa do Oceano. Entro por Ti dentro, enchendo-me de Ti.















Um coração nostálgico, e portuense, sente-se feliz rodeado de bons amigos. Para que juntos possam recordar o felizes que foram e que seguirão sendo, motivados em continuar a descobrir esses velhos recantos cheios de encanto que Tu tens. Com um copo na mão, dum bom Porto, tudo se faz mais prazenteiro, e se a dona saudade bate à porta será bem-vinda, pois será mitigada com o excelente caldo que os vinhedos da nossa terra deu, e que as mãos dos nossos paisanos cuidaram, ao extremo de poder conseguir que sigamos sendo um pouco mais felizes ainda, mantendo acesas as chamas dessas velhas tertúlias e tradições.
O estrangeiro que passa por aqui, um corre caminhos e cidades, sempre cheio de pressa, que vai dum museu ao outro, não suspeita da presença dum mundo diferente que rodeia sem dar fé de que está aí. Nunca pretendi conhecer uma cidade vendo postais, tenho que perder-me nela.







Fui feliz no deambular pelas tuas ruas tentando orientar-me, pretendendo descobrir donde estava. A alma duma cidade não se deixa captar tão facilmente. As cidades são livros que se lêem com os pés. Para poder-se comunicar com ela é preciso aborrecer-se nela. Pode-se seguir um guia turístico, mas fica muito por ver, e mais ainda por conhecer, não a monumental, essa é de pedra, é certo que estás cheia de historia, mas a humana, a outra, Tu, o mais grande do Porto.

Recordando-A desde a Valência do Cid Campeador














Com a participação e apoio de Maria José Dias Rodrigues

sábado 12 de diciembre de 2009

AO MEU PORTO ( IV de V )




O meu pensamento voa como um pássaro, entre as árvores do Palácio de Cristal, sem saber donde pousar-se, com tanto de belo para ver. Observo que, por instantes, da superfície do Douro começa a elevar-se uma capa de vapor, o Douro parece que fumega! Ao longe vejo como uma mancha branquíssima e opaca se apoderava, progressivamente, das margens do rio; foi asfixiando pouco a pouco candeeiros e edifícios, até fazer desaparecer tudo e envolver-me. A ponte da Arrábida parecia retroceder, como empurrada por uma força irresistível. O encanto daquela paisagem quebrou-se. É como se uma plácida noite de Outono se convertesse em algo sobrenatural, tão pálida como preta, tão transparente como impenetrável, deixando no vazio um longo traço opaco, até que me senti envolvido num véu de fantasia: só me rodeava o nevoeiro, tudo desapareceu pelo encantamento da fada mais terrível.







No verão estes jardins recobravam vida, e os clássicos restaurantes actividade, inundando o recinto do cheirinho a sardinhas assadas, a bacalhau e a frango no churrasco. Hoje tudo isso acabou e a malta já não se vê, como dantes, a passear pela avenida das Tílias, até os espectáculos nocturnos decaíram! É certo que os teus novos jardins são muito mais amplos, mas também mais afastados. Convidam a estar em plena natureza, é o Parque da Cidade, donde se pode passar um dia em beleza com toda a família. Tudo bem, uma excelente ideia, mas recordo com nostalgia as noitadas do Palácio.








Dos jardins do Palácio de Cristal olho para, uma vez mais, deleitar-me com algumas das imagens mais belas que possuis;
o rio, o Solar do vinho do Porto, o museu Romântico, a ponte da Arrábida, Miragaia, Massarelos; estendo os olhos até a Afurada, e da corcunda do Cabedelo à Foz.






Só no Solar do vinho do Porto se podem degustar todos os caldos que dá o Douro. O ambiente é propício, silencio e aromas. O jardim de em frente é pequeno mas atractivo com perfume a rosas, sempre abertas.






O museu Romântico é duma visita obrigada, só vendo-o pode-se deduzir o que levou ao Rei Carlos Alberto a eleger o Porto como porto de abrigo, como refugio, para poder viver em paz os dias que a vida lhe concedesse.





Ao descer por Júlio Diniz, tenho que matar saudades numa visita breve às escolas do Infante, donde anos de aprendizagem me deram uma formação de garantia que tão útil me foi na vida.
O pedreiro segue ali, no fundo da rua da Torrinha, imagem inalterável, que não cumpre décadas, enquanto que eu, e o velho Infante, sim notamos o cair dos anos sobre nós. Que longe vão ficando aqueles dias que nos víamos a diário! Assim como a Rosália de Castro da praça da Galiza, mesmo em frente do Gomes Teixeira!




Mais além, o monólito imponente que nos lembra os enfrentamentos com as tropas do Napoleão, souberam, estrategicamente, vencer um exército tão poderoso, eram um punhado de valentes.




Uma avenida que parece que não tem fim, da Boavista, leva-nos até ao mar, lá está o Castelo do Queijo. Mas antes tive que passar por Serralves para observar a obra de Siza Vieira e contemplar o único museu de arte contemporâneo do Pais, que compete com os melhores do mundo. Um passeio pelos jardins de árvores frondosas, únicas; flores, de beleza incomparável; até o lago, e a casa de campo, são únicos dentro do burgo.





martes 1 de diciembre de 2009

AO MEU PORTO (III de V)




Da Torre dos Clérigos dás-nos uma das panorâmicas mais admiráveis, tudo é cor de telha, são os teus velhos telhados, de donde saem as clarabóias que tanto te caracterizam, e que só os dias de nevoeiro impedem ver.







Nalgum amanhecer, ou anoitecer, deixas-te cobrir por uma suave tela muito fina, o nevoeiro, essa ligeira bruma que te faz mais sedutora. Algumas vezes nem a navalha mais afiada te pode cortar. És assim de peculiar, oh cidade!






Na primavera os teus jardins enchem-se de flores, e em Abril tudo possui um colorido especial. As árvores da Cordoaria somam-se a esta etapa de rejuvenescimento fazendo com que brotem dos seus braços, olhos verdes, como as tuas cores como cidade, como pequenas mãos abertas, ávidas de sol no umbral do equinócio. Esta metamorfoses que sofre a natureza em toda a Pátria, inspirou na criação duma das jóias musicais da nossa Terra, a Ferrão/Galhardo, “Abril em Portugal”; que pude escutar, há anos, numa maravilhosa interpretação de Bert Kaempfert e a sua orquestra.











A velha universidade e o museu de ciências; os Leões; o Carmo, com aquela parede imensa de azulejos; a livraria Lelo & Irmão, o paraíso da cultura.; isto por um lado, pois pelo outro está a baixa, com o imponente edifício da Câmara e a praça da Liberdade, com o rei Dom Pedro a presidi-la.





Passear pela baixa e comprar um punhado de castanhas assadas, ou um ramo de violetas, estimula os sentidos e faz-nos sentir portuenses.






Quis chegar até à igreja da Lapa, para ver se podia, por fim, contemplar o coração do rei que o deixou às gentes que tanto o ajudaram, mas as inclemências do tempo voltaram a adiar a visita. A temperatura ambiente desceu consideravelmente e pairava no ar a sensação de uma mudança brusca do tempo. De repente, a chuva começou a cair e um prolongado traço de fogo recorreu o céu dum estremo ao outro, e o ruído do trovão produziu-se quase em seguida. A chuva fustigada pelo vento, que a fazia obliqua, deixou-me empapado. Refugiei-me debaixo dum beiral, dum telhado da Praça da República, e escutei arroubado esse ruído composto por numerosos sons afogados e tão adequados à melodia de antigas recordações. Imediatamente notei ascender do chão, desse tapete de terra, que tinha mesmo em frente, origem da vida, como uma bênção do Universo que todos experimentamos em algum momento da nossa existência, o cheiro mais especial que existe no mundo, o mais jovem e o mais imemorial, o mais tenebroso, o mais inocente, o mais próximo à origem do mundo e o mais novo, o que remove o coração do homem com a maior tristeza e a maior felicidade, o perfume a terra molhada.






Fez-se escuro e a noite foi caindo como um manto negro sobre ti, sobre mim.
Por vezes a Lua enverniza os velhos telhados e os passeios da rua adquirem um prateado sombrio. E, quando não, em penumbra, com a chuva crepitando sobre os vitrais opacos das velhas moradias, ou dos velhos cafés, como do Majestic, criando no exterior um ambiente de fantasia.



viernes 13 de noviembre de 2009

AO MEU PORTO ( II de V)






Estás cheia de contrastes! Tens quatro perfis com os que gosto de deleitar-me, contemplando-te. Tomo como atalaias destacadas a ponte da Arrábida, a serra do Pilar, a torre dos Clérigos e os jardins do Palácio de Cristal.




É da Ponte da Arrábida que te dou o primeiro abraço quando chego, enquanto observo a tua sinuosidade marcada pelo rio por um lado e, pelo outro, a luminosidade dum anoitecer avermelhado, em concordância com a emoção que me invade. No abraço de despedida tento reter-te, sem poder evitar alguma lágrima, que se me esgueira pelo canto dos olhos até à boca para sentir o sabor salgado da tristeza.








Da serra do Pilar, observo-te pormenorizadamente, tento construir o meu quebra-cabeças pessoal da tua esbelta figura: em primeiro plano, a ponte de Dom Luís, lá em baixo o rio, sempre a espelhar, detrás a Ribeira, o Barredo, a Sé, o Palácio da Bolsa, as casas em anfiteatro até à Torre dos Clérigos, que parece que quer alcançar o céu. Do outro lado as muralhas Fernandinas, as Fontainhas, a ponte de Dona Maria, a do Infante e a de são João: agora é que temos pontes! Tudo é cor, tudo é belo, ainda que o Rui Veloso diga que é cinzento, eu digo que é verde e azul. As águas do Douro sarrafadas pela brisa ondulam, cheira a sável! Fascinas a quem te visita desde este ponto de mira, até pode que seja o melhor cartão de apresentação que tens.






Aqui, só ante Ti, sinto-me feliz, radiante: até uma suave brisa vem atenuar o que os raios de sol do fim da tarde castigam, por querer-te ver e sentir, com os tons vermelhos do fim do dia a entrar por mim dentro.




A princípios de Junho, com a vinda dos primeiros dias de calor, o pessoal começa a afadigar-se na preparação de tudo que está vinculado ao momento que se aproxima, o São João. Começas a engalanar-te, vestes-te de festa. Nas casas e nas ruas cheira a manjerico, a cidreira, e a alhos porros: mas também a rosas e a cravos. As ruas enchem-se de gente, já adornadas de balões e de música, é a nossa festa.
Somou-se á festa esse ruído, que para mim só deu som, e fez decair o romantismo, “os martelinhos”; que algum mal intencionado esgrime com excessivo fulgor; arremete sem ver a quem.






As Fontainhas, com a sua imensa cascata, espera a malta, que em romaria tenta chegar até lá, mas, como nem sempre se consegue, opta por ver o fogo desde qualquer sitio. Por fim o céu enche-se de luz e de cor, são as cores do São João! A ponte parece que sai duma nuvem de fumo e de fogo, cheira a pólvora. Nos outros bairros da cidade acendem-se fogueiras, ouve-se música: uns dançam, outros bebem, há alegria!
Para completar a festa são-joanina, e de certo modo para recuperar as energias perdidas, a mesa veste-se de gala; as sardinhas assadas, ou o cabrito assado, são bem regados com o bom vinho da terra. Tudo isto faz esquecer penas e une corações, do que se sente orgulhoso o bom povo tripeiro.







Quando desço das alturas da Sé até à Ribeira, dá-me a sensação de que estou a viver um sonho. És uma cidade de velhas escadarias de granito e grandes rampas, que caem para o rio em zig-zag. Um sobe e desce continuo, mas que estimula a imaginação: que vamos encontrar na próxima esquina? Tais sensações fazem-se latentes no Barredo. Mas também na Vitoria e nas Fontainhas.






Aqui nasce o burgo que te deu nome. Quanta historia destilam estas pedras! Num desses arcos podemos repor forças e degustar um dos manjares de maior tradição, as iscas, que regadas com um bom vinho verde fazer-se-ão inolvidáveis. É que aqui tudo tem outro sabor!





Uma olhadela para a ponte de Dom Luís que, desde essa perspectiva, pode ser o melhor estimulo para os sentidos. Estamos ante um empreendimento chave para o teu desenvolvimento. Um desenho empolgante que Teófilo Seyrig tão bem soube criar e que ademais se considera única no seu género.
A fúria do Douro atormentava as tuas margens todos os invernos, perigo hoje em dia parcialmente dissipado, ao estar controlado pelas barragens. Outrora provocou cheias para a historia que se podem comprovar num passeio pela Ribeira, donde late mais forte o teu coração tripeiro.






Assim nos chamam a partir do momento em que um jovem Infante, um nobre filho teu, que nasceu ali mesmo ao lado, pudesse ver concretizados os seus sonhos. Chamou-se Henrique, mais tarde, O Navegador, e menos mal que o fez! Pois, a epopeia que veio posteriormente, fez que um tal Luís de Camões se inspirasse, para escrever um poema épico, para orgulho de todos nós: Os Lusíadas. O preço que tivemos que pagar foi elevado, ficar desprovidos dos viveres principais, que o Infante embarcou para provisão dos seus homens. Só ficaram as vísceras em casa, e, assim, dar nome a um dos nossos pratos mais típicos “Tripas à moda do Porto”: recursos portuenses!